7.12.14

SILÊNCIO DO TEMPO

Sinto a cidade adormecendo saciada
a noite despede-se no horizonte
com o sol murmurando
na curva da minha nuca
profanando o dia
enquanto o céu silente
escoa escuridão
misturam-se faíscas de vermelho e laranja
como um esbanjamento de desejos
O vento fresco primaveril deflagra a alvorada
traz no colo o silêncio do tempo
e nas mãos  a fome renovada
coisas que os dias nunca souberam me dizer
e que eu
nunca saberei descrever

1.12.14

EXÍLIO DE VIDRO


Exangue
contrita
mãos aflitas entrelaçadas
um resumo de preces sussurradas em vitral
uma imagem despretensiosa
um relicário numa porção de anonimato
exílio de vidro
anjos e demônios constritos
lado a lado
como se nunca tivesse havido oposições
atos do cantochão sendo executados
como uma absolvição
sem ao menos ter tocado uma única vez nas minhas culpas
nem endereçado um olhar às minhas justificativas
Retinta visão espelhava e
lá fora uma manhã ensolarava
incidindo sobre o confessionário
agora eu sei:
a fé e a descrença
ambas

nunca dependerão de mim para existir...

13.11.14

REFRÃO

Por Selma Jacob
“as palavras me dissipam, não morro de verdade.
tomo o lugar delas (...)”
Reciclo o tempo que me escoa
como quem acumula lágrima
E na fatalidade das horas invertidas
Sustento-me na razão de ser
Do amor natural
entre palavras cruas d’um temporal
e os raios que riscaram o céu escuro
como um afago -
Nasci!
Trovões sufocaram o choro e
num rasgo de fatalidade

sorriu-me a vida(...)
...permaneço...
Uma releitura
 Um refrão que me toca
Por fim...

12.10.14

ASPAS

Como uma flâmula ardendo,
 condenada,
feito argumentos
imprecisos mas enfileirados,
 um tudo,
 entre eu o nada numa noite de lua movediça,
tremulo.
“Apartar-me desse desassossego,
leva este vazio do lado de dentro,
 que se agiganta e
 transborda.
Deita fora minha coleção de ossos e
 afoga minhas queixas
 num gole de gozo.”
Recolha-me
até cessar essa fase de parir dores,
sem eleger prioridades e
 tudo ficar reto,
até que não exista mais chão e eu,
um nada

entre “aspas”.

22.9.14

COMBUSTÃO EXPONTÂNEA

Fazemos de conta que tudo vai bem. Pela garganta todos os dias engolindo a seco a distância, frio e amargo cardápio, criado especialmente para nos alimentar e nos proteger de nós mesmos.

Quem dirá do amor que fomos e que ainda permanece? Nunca seremos nós, decerto, evadidos em planetas protegidos em anéis. Guardamos na garganta o ultimo choro, um [a]mar que quiçá, um dia sirva para apagar [apenas e unicamente] minha vida que segue em combustão espontânea.

12.9.14

VENTOS DO LITORAL


...se o vento sopra e 
esfarela as nuvens...

a chuva não vem
não florescemos...
em que paisagem 
estamos craquelando...
Meu amor...

10.9.14

REVELAÇÃO



Sigo como um ato contínuo

traços entrecortados de curvas 
[traiçoeiras]
vozes do que penso
desdobrando-me
fazendo em silêncio 
sem na maioria das vezes
pensar...
Eis o meu mistério
Eis minha revelação!

5.9.14

GARÔA



Entre eu 
e o tempo 

já não há mais 
incertezas que caibam 
nem um sopro 
que me inspire
Animei 
todas as partes 
até que se dissolveram 
as letras
duvido 
que um dia 
eu volte
duvido 
que um dia 
eu desapareça por completo 
e isso talvez seja 
a única 

absoluta certeza

3.9.14

PULSAÇÃO


Paradoxo de um tempo tão pouco
para uma servidão tão ávida 
as horas se estendem entortando tudo

dias e noites num único cenário
marcas de uma textura
relevos de uma pulsação que não estanca
nem mesmo

se não houver amanhã

20.8.14

MARESIA


Não importa o que leva...
O que o vento não soprou...
Se sempre estive perto do abismo...
Se fui aquela gaivota não voou...
Marejo...
como se do tempo ainda fosse...
eu uma menina...
dos olhos teus...
escoando...
na orla do infinito...
porque sempre seremos... 


[a]mar.

15.8.14

MEMORIZAÇÃO


A distancia dá voltas incongruentes ao meu redor
como se pudesse criar novos planetas
fatiando memorizações eletrificadas
teço orações em linhas de prata
iluminando um céu nu e
desavergonhadamente poético
Aqueço mil e uma noites
como uma obra tântrica de querer
e neste sumidouro perdido
nesta selva de pedras
prevaleço como um estilete
abrindo abismos e recapitulando
dias em banhos de lua
Estou assim
[In]concluída

eu juro não mais saber descrever minha humanidade.

13.8.14

LUA DE AREIA


A lua desintegrando
Um céu de imensidão
O riso que gorjeou na garganta           
Desvanece na ampulheta
Desertos de heranças
O que me dói e também me expõe liberta
Incrustando intumescidos montes no peito
Um pulsar teimoso e inconsequente de eternidade
Traduzindo alvoradas igualmente livres
Repletas e espalhadas
Tal qual eu e você

Feito uma declaração de amor

20.7.14

RADIOGRAFIA EM ATOS


PRIMEIRO ATO
Das cinzas salpicadas
Um sopro
um suspiro
pálpebras descolando-se com um amanhecer
olhos flamejantes queimando tua carne
soberano
donatário dos vales dos meus ombros
amamentado pelo mais lascivos desejos
ereto
suportando as unhas cravando o flanco como raízes
atendendo ao chamado da floresta
 o ventre
princípio de uma vida
já se faz carne abatida em ti
corredeiras vertiginosas
fendas abertas
lavas escaldantes
e tudo derretendo ao redor...

ATO FINAL
apenas uma vida inteira
 morrendo todos os dias
de dor,
de saudades,
de alegrias,
de amor...
encerrando nesta última noite
esta última morte
esta única vida

ATO CONTÍNUO

Estilhados no infinito representando constelações...

15.7.14

INEXISTÊNCIA


Escrevo versos inexistentes
entoados como uma ausência de vida
sugerem celebração solitária
desamarrando nós e laços
num pacote vazio que vaga
sem endereço
sobraram os traços
curvas e dobras de outrora
retas perdidas
apagadas pelo tempo
desperdiçando grafite
que emudece
como estrelas enfileiradas
todo o sorriso cristalizado
em deslumbramento métrico
descansam juntos
o teu presente e o nosso passado
de todas as vezes que sonho [secretamente]
sem exceção,
juro me esquecer de 
jamais me lembrar

que dia é hoje!

13.7.14

LUA DE AREIA

A lua desintegrando
Um céu de imensidão
O riso que gorjeou na garganta           
Desvanece na ampulheta
Desertos de heranças
O que me dói e também me expõe liberta
Incrustando intumescidos montes no peito
Um pulsar teimoso e inconsequente de eternidade
Traduzindo alvoradas igualmente livres
Repletas e espalhadas
Tal qual eu e você

Feito uma declaração de amor

7.7.14

IMACULADA

Imaculada em teu silêncio
Um pouso leve sobre a pele
Carícia d’um olhar que me fatia
Ora doçura
Ora imensidão
Espalhando-me por todos os cantos
[do desejo que me acolhe sob a tutela das tuas mãos]
Permaneço à mercê
[Deste]
Que me palpita as narinas
Teu cheiro corresponde ao meu cio
Na beira da tua sombra
Faz-se arte em espiral
Rima e plástica
Do que não pronuncio
Mas [me] entrego
Dispensando [assim]

Todas as palavras

5.7.14

HORIZONTE ENCADERNADO

Retalhos cingidos em letras sufocadas
Manto de estrelas e enluarados suspiros
Tênue é a linha
Contorno de telescópio
Imagens vincadas
Nunca as mesmas
Dobraduras imitando assas
Conta gota do choro incontido
O [a]mar corre por dentro
Escoa pelas mãos abertas:
[Uma sobre a outra]
Derretendo castelos aos pés
[corpos entrelaçados de nós]
Enseada cavada em lambidas
Os sinos mais uma vez escancaram as bocas
[Dobram e desdobram meus ais]
Alvoreço rente ao sol
E como um bocejo dentro da concha

[retornamos pulsação e pausa do horizonte encadernado ]

28.6.14

HOMENAGEM SINGELA VANIA LOPEZ

Passei três dias tentando te fazer uma surpresa
Escolhi uma poesia sua das mais amadas
Achei que ia ficar uma lindeza
Mas minha voz de taquara rachada
Oscilava entre o padre e o juiz
O áudio até casava
Mas entonação descasava
A poesia em voga era tanta
Que eu ficava cada vez mais tonta
Resolvi apelar então
Pedi aos céus uma voz para a dita declamação
Mandei até um e-mail oração
E o provedor do céu
Na madrugada
Entrou em manutenção
Parti então para a escrivinhação
E lembrei que o Lápis
Este nunca teve ponta não
Mas o amor que lhe tenho
Este não me falha não
Fiz-lhe esta quadrinha singela
Até sem nenhuma pontuação
Mas deixei aqui Vaninha
Todo meu carinho

E toda minha admiração

17.6.14

DUETO: VCRUZ & VANIA LOPEZ

Ela me convidou
eu tremi,
eu aceitei!!!
Minha querida Vania, luminoso ser de quem sou fã.
Claridade e penumbra podem existir num só verso.
Eis:

Num vestido colado (de emoção) como uma luva
as palavras, traziam cores, sons e madrugada
invadia desejos secretos, lugares poéticos
(quase irmãs)
paria a fantasia pelo avesso...
num bar em preto e branco

o antes adormecido, na sala de estudos
o cinza vulcânico
vazio numa tarde de domingo
como os olhos de um gato

rompia a nudez indescritivelmente poética
dos pés descalços pela noite
entre o silêncio e Monet 
sobre tua almofada favorita

a palavra que passou...
repousando-te na memória
em ordem alfabética 
num vestido colado (de emoção) como uma luva
um concerto só na corda sol
(...) procurando um rosto em teu espelho
neste começo de junho.


Vania Lopez & Valéria Cruz 


29.5.14

ENTREGA


Estampado na face 
como um traço de pincel que
saltou da paleta...

Fenda incicatrizável 
por onde escoa 
o que me vai n’alma...
Sorrisos...

27.5.14

CALENDÁRIO ANTIGO


Uma chuva fina sobre os ombros,
sua frieza me liberta.
Meus pés vão deixando pegadas desintegradas na calçada
ungidas sentimentalidades...
enquanto eu,
me sinto desprotegida.
Para onde estou indo,
onde estou levando meu coração?
Sigo invisível o cortejo dos guarda-chuvas ensopados,
volúveis,
parece tão divertido
que até me aqueço,
me esqueço
porque motivo despertei...
se tudo que queria era continuar sonhando?!?!
Dou voltas no quarteirão como quem marca um calendário antigo,

na expectativa de um dia que nunca mais vai chegar...

20.5.14

Trans...PIRAÇÕES


Como uma folha recém caída

minh'alma balança ao vento. 
Folha não tem olhos, 
nem boca, nem mãos...
nenhuma certeza do destino, 
ou 
seria certo imaginar 
que o certo, 
é não ter destino
certo...
Folha tem coração?
Isso também não é certo,
nem destino,
enquanto isso,
balanço em "noites inventadas,
como um rascunho..."

(Quando tudo é trans...piração e batom vermelho)

17.5.14

Minha prece, minha oração, meu amor!

Quero orar,
Queria ser humilde para saber pedir clemência aos céus, a Deus, aos Deuses, às poderosas forças que regem o universo.
Estou me sentindo desamparada...brava, impotente...
É isso que é estar só?

[Diga-me que é apenas mais uma de suas piadas mal contadas. Você nunca foi bom em contar piadas e esta definitivamente é a mais sem graça de todas, não consigo sorrir nem mesmo para te agradar. Sabe quando conversamos sobre ser a maior fraqueza do ser humano o medo de sentir medo?]

Mas que droga! Eu não posso nada, eu não tenho o poder de decidir nada, eu não sou Deus nem tenho a cura nas minhas mãos, como supunha. Sou tão fraca que neste momento trocaria de lugar contigo só por mais alguns instantes da sua lucidez e podermos discutir juntos o que é melhor a ser feito – será que é isso mesmo que você quer? Não consigo te imaginar sendo separado das suas partes aos poucos – isso não combina contigo, teu espírito orgulhoso não aceitaria ser retalhado assim. Queria poder te dar meus dedos, todos. Meus pés sem pestanejar, minhas pernas, até mesmo meu coração!
Pai será que ainda me compreende? Fala comigo, me diz o que deseja porque eu confesso: não suporto te ver assim delirando, vulnerável, estou com medo de sentir medo de te perder...mas orgulho em ser da sua linhagem, com muita coragem para atender a sua vontade e força suficiente para enfrentar a sua ausência...se necessário for...
Para você que me ensinou o que é amar com o seu amor infinito,
Que o meu amor igualmente desmedido te conforte e esteja contigo sempre!
Amém!

16.5.14

CIÊNCIA

Provocantes adagas sensoriais singrando como ondas,
retalham o sentido do infinito pela metade
e ficamos vulneráveis ao alcance
dos olhares,
do tato,
do paladar.
Falávamos ainda desmedidamente sobre o surgimento das constelações,
maresias no morno fim de tarde,
orbitávamos como átomos nervosos
formulando ligações que talvez nunca saibamos explicar -
química pura no fundo de uma simples xícara café!
Tudo que é sagrado não pode ser explicado pela ciência
e o imenso rasgo que nos uniu
confirma a despedida,
persistindo com um desejo não saciado.
De que planeta viemos
e se chegaremos além do fundo do mar?
Muitas respostas não querem ser reveladas
há tanto a declarar,

Que nem ouso reformular!

9.5.14

SE, SOMENTE

Na vacuidade das horas
habitas
desfilando neste caminho
entre
os olhos e o coração.
Havia em todos os lugares,
nuances,
cores,
fatos,
e tantas fotografias
como se fosse capaz de caber naquela memória.

[Recapitulando mecanicamente os dias
como ensaísta e protagonista.]

Somente,
quando era eu a poesia
os versos eram mais amplos
decorando  as noites
com letras que ainda guardo

em mim.

9.4.14

DIA A DIA

Era tudo e eu estava por aí.
Diluía passos como se fosse a chance da vez.
Desfiava o sol do meio dia nas meias da noite,
Tremia na beirada da madrugada
como um conta gotas
 até que fosse bebida por um gole só!
Ah se tudo fosse ontem,
eu voltava a ser hoje,
Nem que fosse

para ser apenas um único amanha...

2.4.14

RELEITURA

Muitos rabiscos são traçados e dispensados. Há obras que ficam inacabadas, mas não passou despercebido a porta aberta com elegância, os olhares de admiração cruzados no corredor, sinais que reforçam a minha distancia e me mantém a salvo. O que não é alimentado desencoraja. Mas, não há como escapar a um encontro casual no café.
Ah o café, esse líquido amargo que propicia releituras doces quando dedos se tocam no açucareiro, como se fosse uma senha de acesso – você gosta ou não gosta – o céu da boca adormece devolvendo o sorriso, menos defensivo. O que acontece com uma mulher madura quando entra na segunda adolescência temendo cometer os erros da primeira?

Ok, o fato de ter gostado não me torna disponível, é certo que ficou claro que o meu jeito displicente, necessariamente não me tira do rol de interesses. Mas é claro que até chegar à definição da obra, muitos esboços serão feitos antes de sentir o cheiro de tinta no ar.

30.3.14

[R]evolução

O céu da boca já se conforma com nuvens de fumaça de um vulcão extinto, encerrando toda a devastação e beleza quente produzida, momentos inacabados como frases interrompidas por um pavio engolido.
Enquanto tudo era combustão instantânea, as idéias borbulhavam no seio de cada um, cozinhavam, alimentavam esperanças. Tantos foram levando sua coragem para nunca mais voltar. Tantos ficaram para serem pendurados à secar como lingüiça no paiol. Será que tudo foi inútil? Sinto como se esta fome, tenha alimentado tão poucos.
A vida segue enquanto ultrajantes desejos se amotinam em noites bem dormidas, mantendo os sonhos dormentes, amedrontados pelo nada que paralisa, como um vestido amassado no fundo do armário...
ou passeatas rugindo nas ruas em voz baixa:

Revolução!

17.3.14

IMAGEM

Amarrotadas,
São as cartas em branco que arrasto com os dentes para fora das entranhas.
Dolorosas,
São as fatias desse coração noturno que se arrebenta por dentro por não saber morrer.
Impiedosas,
São as farpas e vincos das lembranças que embaciam meus olhos por ser tudo e não ter nada.
Imprecisas,
São as poesias de um amor engarrafado envelhecendo no fundo da prateleira sem nunca ter tido a chance de ir ao mar.
As paredes do meu quarto estão se fechando ao serem decoradas com solenes rabisco de insônia, meus pensamentos voam como aviõezinhos de papel em direção ao nascer do sol.
Acendo o último cigarro com a chama dos olhos e deixo que a fumaça me leve para onde quiser.
Ai de mim que ainda fico me procurando em lugares onde não quero me encontrar...
E o fogo...ah!

O fogo que consuma todo o resto...
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...Sobre Imagens...

Informo que algumas imagens utilizadas aqui, não são da minha autoria, tendo sido em sua maioria, provenientes do google imagens. Ficando assim, à disposição dos seus respectivos autores, solicitarem a retirada a qualquer momento.

Fiéis escudeiros! Fàilte!