24.10.15

...mente que...MENTE...

Mãos estendias vazias...
...as digitais se perderam...
Olhos serrados...
...imagens borradas...
Ouvidos ensurdecidos...
...os ecos foram raptados...
Lábios ressequidos...
...o sabor tornou-se fel...
...e com tentáculos invisíveis...o vazio...domina um corpo inerte...
Resta-me a mente...
...que me MENTE...
...e dos meus ombros faz saltar asas que contraditoriamente...
...não sabem voar...
...pés de barro...
...arrastam todo o peso pela imensidão...
...não há rumo...
...apenas prumo!

...Matreira...Mente...(parte I)

O avião pousou. O click dos cintos sendo desafivelados soou-lhe como o estouro de grilhões, enfim as merecidas férias.
O calor do sol o acolheu em seus braços como amantíssima mãe, o cheiro de maresia já podia ser sentido, ou seria apenas sua saudade do mar?
Quase 10 anos sem tirar férias de verdade, uma estafa galopante o obrigara a desligar e sair do burburinho do centro da grande metrópole, onde dirigia um renomado escritório de arquitetura. Agora não era mais apenas por puro prazer, fora uma urgência que o corpo lhe impunha se quisesse garantir a saúde, ainda ecoava a voz do médico decretando o diagnostico.
Tomou um taxi e seguiu para o hotel, como se estivesse arrastando um bonde pelas avenidas arborizadas. Estava tão cansado que nem conseguia se distrair com a diferente paisagem. Teria tempo para isso, pensou fechando os olhos e se afundando no estofado da sua carruagem.
Depois de cumprir as formalidades do hotel, jogou-se na cama tirando apenas o sapato. Adormeceu instantaneamente um sono sem sonhos. Despertou ainda procurando a paisagem do seu quarto, em busca do despertador que não saia da cabeceira, acordou, não estava em casa. Conferiu no relógio de pulso, assustou-se, dormira por quase 12 horas.  Era já madrugada, ainda sonolento foi conferir na janela a paisagem. Como pedira na reserva, a única coisa que o apartava da vista do mar era uma rua com uma calçada adornada por arboriza orla de coqueiros. A lua se fazia alta e cheia, produzindo um espetacular cenário no mar.
Respirou profundamente, agora mais calmo aquele perfume de mar que agora percebia a falta que lhe acompanhara calada por tanto tempo. Sentiu-se revigorado e resolveu que começaria aproveitar agora. Banhou-se e vestiu-se com bermuda leve e camisa aberta de botões, uma sunga por baixo e uma sandália de couro que comprara no aeroporto, como um amuleto de boas vidas as suas férias; como seus pés estavam brancos, sorriu constatando.
Antes de sair, dado o horário, conferiu com a recepção as condições de segurança do local, podia explorar sem medos, havia guarda municipal na orla e também boa iluminação. Atravessou a rua e pisou na calçada, como pé direito, rumo ao mar. Desde quando se entregava aos misticismos? Sorriu, precisava fazer valer a pena, a muito vinha pensando sobre sua atarefada e solitária vida.
O barulho do vento, das ondas arrebentando na praia era um convite a um passeio na beira mar. A praia estava deserta, dada a hora, era só sua. Livrou-se sem pressa do calçado e sentiu sob os pés o frescor da areia. Precisou fechar os olhos para eternizar esse momento. Andando podia escutar o barulho da areia cedendo ao seu peso, uma deliciosa sensação de cócegas nessa massagem que lhe proporcionava relaxamento por todo o corpo. A brisa agora acariciava seu corpo invadindo as frestas da roupa. Embora estivesse sozinho, experimentou a sensação de completude; sob um manto de estrelas, uma lua cheia o saudava. O mar "iluminado" lhe oferecia a visão do infinito. Sentiu-se neste momento parte do universo.
(continua)

COMBUSTÃO EXPONTÂNEA

Fazemos de conta que tudo vai bem. Pela garganta todos os dias engolindo a seco a distância, frio e amargo cardápio, criado especialmente para nos alimentar e nos proteger de nós mesmos.

Quem dirá do amor que fomos e que ainda permanece? Nunca seremos nós, decerto, evadidos em planetas protegidos em anéis. Guardamos na garganta o ultimo choro, um [a]mar que quiçá, um dia sirva para apagar [apenas e unicamente] minha vida que segue em combustão espontânea.
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...Sobre Imagens...

Informo que algumas imagens utilizadas aqui, não são da minha autoria, tendo sido em sua maioria, provenientes do google imagens. Ficando assim, à disposição dos seus respectivos autores, solicitarem a retirada a qualquer momento.

Fiéis escudeiros! Fàilte!