1.12.14

EXÍLIO DE VIDRO


Exangue
contrita
mãos aflitas entrelaçadas
um resumo de preces sussurradas em vitral
uma imagem despretensiosa
um relicário numa porção de anonimato
exílio de vidro
anjos e demônios constritos
lado a lado
como se nunca tivesse havido oposições
atos do cantochão sendo executados
como uma absolvição
sem ao menos ter tocado uma única vez nas minhas culpas
nem endereçado um olhar às minhas justificativas
Retinta visão espelhava e
lá fora uma manhã ensolarava
incidindo sobre o confessionário
agora eu sei:
a fé e a descrença
ambas

nunca dependerão de mim para existir...

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