31.5.11

...Fissão...


Fusão!
Possibilidades impreguinam a alma
Pelos poros que se dilatam
 Encolhe-se o marasmo
Envergonhado 
Diante da volúpia da vida  
A explosão eminente inicia mais uma contagem regressiva
Impossível conter
Estrondante estilhaçar esparrama-se em ecos
Faz-se festa no Universo
Eclode a Estrela

30.5.11

...Pele...


Foste Tu matriz
Dos vícios destes
Onde em mim revestis

Arranco-te d’aqueles
Momentos vis
Carne viva em que me fingis

A segunda
Primeira da hora
Esfinge me refiz

28.5.11

...Borbolet...Ando...


Em crisálida mais um último expiro
Alheia ao que para o além pulsa
Recolhida em plena ausência
Nos confins de um Eu que não mais me pertence
Esquecimento de tudo que fora
Tudo que senti me entorpece
Esse abandono transforma
Percebo até, mas, não me envolvo


A primeira Borboleta a gente nunca esquece
O despertar é trazido pelo meneio do vento

Ouço ao longe o tic-tac do tempo
E pelo rasgo ofusca com urgências que traz
Serão minhas?
Já não há com[o]...andar
Já não há mais pernas
Borboleta me fez asas
E cega me ponho a voar

26.5.11

...Poética da tua Lógica...

Para o teu desejo
"físico"...
Desnudo toda...
Faço apenas...
Minhas...
Às tuas urgencias...
Escoam por entre o vale do decote...
Perca-se na imensidão da tua lógica...
Esconda-se e revele-se no meu prazer...
Para além...
A irreverencia da poesia não acata exigencias...
Te aguarda no alto do monte...
Em Venus!

 

Toda "Nerudez" será Perdoada!


No céu da boca há anjos
"hapejando" sobre nimbus
Estrelas recolhendo segredos
A lua nem deu as "caras"
Chega a hora do dia transpor a noite
Com dedos quentes toca a pele
Que desperta nua
Convencida que precisa vestir-se de sol

25.5.11

...Ritual...


Pois foste
Lírios e girassóis
Caracóis primaveris
Rodopiando em volta do sol

Então vá
Varrendo em ventos outonais
Folhas e cinzas
Fogueira na floresta apenas ritual

Agora
Ventinho na fresta
Faz toda a festa
Do outono saudosos caracóis
.
.
.

23.5.11

...Tento...


Quando a teimosia da mente inquieta se rebela
A ousadia aflora
A fome das frustrações necessita ser alimentada
Tento
Mesmo que o intento seja incipiente
Acalento o desejo que me persegue
Sem vergonha de expor
Me entrego aos rabiscos
O que seria Eu?
O que veria voce?

22.5.11

...Super...ando...


Ensaiando os primeiros passos...
Vôo pelo infinito nas asas da imaginação...
Às vezes dispenso o medo e escancaro as portas da fúria...
O que há em mim de verdade a cada dia fica mais distante da definição...



.
.
.
 Intenso
Profundo
Arranco do fundo
Tingi a escuridão com labaredas
O que arde...
Não mais...
Dói...

Dedico meu primeiro experimento a minha linda amiga artista Selma Jacob, que com seus pincéis mágicos da amizade,  a cada  dia colore mais a minha existência!

D. Zildinha, muitos beijos pelo lindo presente que ofereceu ao universo que é a sua filha.

Convite à Cassia Bosso

Me encantei com a linda poesia de Catia Bosso em homenagem ao meu amado chão: Bahia!


Isso é baianidade! Ser sem nunca ter visto...oh minha "nega", não te falta convite, lá tem a casa de "mainha" e te garanto que o dendê vai escorrer no cantinho da boca quando morder o acarajé da Cira em itapuã...vai saber o que é arrastar as chinelas pelas ladeiras do Pelô, jamais vai esquecer esse som, pois, não será só o som dos teus passos que ouvirá, mas, de toda uma história que calça aquele lugar...
Ainda te levo no Abaeté, espero que cheguemos a tempo de veres o rabo da sereia mergulhando nas profundezas das poucas águas que ainda restam...e de refresco, te levo na sorveteria da ribeira, depois sentaremos na beira da orla e mergulharemos naqueles sabores! Tendo ou não fé, igreja não há de faltar, com ou sem ouro, a missa com atabaques na Rosário dos Pretos não pode deixar de rezar e com certeza, vai sair do Bonfim de fitinha amarrada nos teus tres pedidos...e só para nunca dizer que foi sonho, te levarei no elevador Lacerda, e lá do alto, deixarei que fotografe sua imagem lá em baixo, pois os 3 mim de magia, te levam ao mercado Modelo, “modelo” de Bahia!
Um cheiro cheio de dengo!

21.5.11

...Do Cinza ao Vermelho...

Nigredo, Graça Campos / Ano 2001
O cinza de ontem sobrepõe-se ao de hoje
Aqui pousa mais uma camada sobre o frio que insiste em invadir as frestas da roupagem
A poesia me foge a largos passos e a garganta poética fica “seca”
Dá-me um gole de vinho tinto preciso colorir esse quadro preto e branco
Me acendam a lareira preciso de luz
O sol já está se pondo e quase nem amanheceu

20.5.11

...A Viagem...


Estou frágil hoje, muito frágil!
Abri os olhos e disse: céus, ainda estou aqui!
Vivemos nossa vida com aquele “poder” de eternidade e nem nos damos conta de que temos apenas um “sopro” e a vida ligeira e implacável, quando bem entende vem e nos arrebata.
Não te pergunta sequer, se já concluiu aquele livro que estava escrevendo ou se agradeceu a todos que se dispuseram a te ajudar, ou mesmo, se disse a todos que ama: EU TE AMO...
Não quer saber que voce tem planos de reconciliar-se com seus desafetos: PERDOE-ME; nem que ainda não disse a quem te magoou: EU TE PERDOO...
É meus caros, vivemos a nossa pretensa eternidade, acreditando que teremos poderes mágicos para fazer desaparecer o nosso bilhete de partida, quando ele chegar pelo correio...
Mas hoje, quero deixar registrado aqui, que a pouco olhei a minha agenda e ela estava em branco, não havia nenhuma data marcada, logo, preciso me organizar para que quando chegue meu momento de partir, voces não tenham muito trabalho...olha, vou forrar a cama, deixar as gavetas arrumadas e tem pouca roupa suja no cesto...o que tem na geladeira, dá para ser dispensado facilmente!
Os documentos estão organizados, as jóias que possuía, já ofereci a quem de direito; os livros os discos, peguem o que quiser, o que sobrar, doem; as roupas, distribuam todas - alguém há de curtir os meus gorrinhos...
O dinheiro no banco dá para organizar uma boa despedida: a família sabe, não quero velório, só ser cremada na intimidade familiar e depois, comunicar aos amigos a minha partida, sem muitos alardes, como sempre gostei...as cinzas, serão espalhadas na curva do vento no Canto do Sol, quem me conhece sabe onde...
Não quero que pensem que estou num momento pessimista, ou até macabro, mas como boa capricorniana que sou, não poderia deixar de refletir sobre a minha última partida.
Saibam que partirei tranquila, plantei árvores, me multipliquei - eu vi meu neto! Quantas pessoas não tem essa alegria-, escrevo diariamente meu livro, sem borracha! Não tenho arrependimentos...meus erros são os moldes dos meus acertos...
Ainda estou aqui, malas prontas, na certeza que breve ou distante, um dia, como todos, partirei...

(*) Minha homenagem a amiga virtual*(sala 40), que essa semana fez seu embarque...Boa viagem querida!

19.5.11

...Luxúria...


Faz-me a cor...te
Ata-me nesta correnteza
E na pele roçando o véu
Venda-me
Arrebata com mãos de dono o colorido do meu gozo
Em luxuriantes pinceladas
Define os íntimos traços do consentimento


18.5.11

...Se Essa Rua Fosse Minha...



Essa é a Minha Rua!

Com calçamento cor-de-rosa
 Enfeitada com lanternas multicoloridas...
Flores por todos os lados...
No centro da Selva de Pedra pulsa um aconchegante coração!
O café mais delicioso do planeta!!!
Comemorando a reabertura do Central 22.

...I...Realidades...


Destravando as fronteiras da realidade
Tudo...vale
E por mais que se faça acorrentado
O tempo faz-se cor...rente
Para além daquela colina que os olhos alcançam
Habitam as incertezas
E por mais que vacile
Ou tente modelar e encarcerar o factual
Ainda assim
As fantasias serão livres corredeiras sem guia

17.5.11

A...coberta...


Sepulcral descanso
Inaudíveis suspiros fugidios
Lábios entreabertos
Madeixas encorpadas
Fulgor da face
Ocultam
Pousa veludíneo mimético
Entre folhas
Acoberta toda a voracidade carnal

16.5.11

...Ou...Tona-me...


A paleta destoa com seu colorido insistente
Salpicos de uma tristeza lilaz insistem em matizar
Azuis e amarelos misturam-se
Um verde esperançoso esmaece em
 pacto com folhas outonais
O irreverente vermelho executa seu bailado
nada discreto
O ocre passa a língua por baixo deixando um
rastro molhado de saliva
O cinza do meu dia segue resvalando seu pincel nos contornos das vestes de um sol que se
espreguiça por entre as pesadas nuvens


Gosto quando me visita e imprime nas minhas singelas linhas o seu forte traço.
Sempre um prazer e um encantamento recebe-lo estimado Poeta!
Com emoção, publico!
"A paleta destoa com seu colorido insistente/triste por ser uniforme
Salpicos de uma tristeza lilaz insistem em matizar/o sol no céu limpo
Azuis e amarelos misturam-se/capricho de poeta
Um verde esperançoso esmaece em/longínquo
pacto com folhas outonais/tão próximo
O irreverente vermelho executa seu bailado/doce capricho
nada discreto/e como um mar de suspiros
O ocre passa a língua por baixo deixando um/longe melancólico
 rastro molhado de saliva/encanta ou embala
O cinza do meu dia segue resvalando seu pincel nos/lábios lassos ou hora da paixão
contornos das vestes de um sol que se/enamorando
 espreguiça por entre as pesadas nuvens/como só almas e flores"

V/M

"triste por ser uniforme
o sol no céu limpo
capricho de poeta
longínquo
tão próximo
doce capricho
e como um mar de suspiros
longe melancólico
encanta ou embala
lábios lassos ou hora da paixão
enamorando
como só almas e flores"
-Miguel-
http://centraldapoesia.blogspot.com/

13.5.11

...Resumo...



Meus versos não resumem as verdades
Minhas verdades não resumem a realidade
Minhas realidades não resumem as certezas
Minhas certezas não se resumem aos versos
Quisera eu ter a certeza que um dia meus versos
Trans...bordarão minhas verdades em realidade

...Pacto...

Escher


Somos amantes anonimos disfarçados em versos...
não tire a máscara agora...
Pode se reconhecer...







11.5.11

...Tinta...

Mulher Azul, Selma Jacob
[http://pintandoseteoumeio.blogspot.com/]

Poderia ser Carmim
E dizer para Mim
Eu sou Normal
E qual o Mal?

Poderia ser Lilaz
E dizer para o rapaz
Sou borboleta
Cometa!

Poderia ser Amarela
E flutuando na aquarela
Dizer em voz alta
Basta

Mas ela é Azul
E com a insolencia de Pagu
Diz os mortais
Reticencias...

10.5.11

...Sobrando...



Socorro!
Sequestraram a lucidez
Sumiram com a sensatez
Afanaram os sentidos
Rasparam a dignidade
Clonaram as idéias
Socorro!
Estou empilhando a sobra dos cacos
Juntando a poeira
Pendurando a eira na beira

*Imagem de Vik Muniz

9.5.11

...Serena...Ta...



Distintos acordes deslizam sobre o anoitecer
Aquela que guia
A...corda
Moldado desenho de corpo em células atomicas difusas
Agasalhado madeirame na textura afinada da pele
Ora toca
Ora acaricia

7.5.11

...Mãe...condição sine qua non da existencia...


Algumas pessoas tem o privilégio de ter mais de uma. Outros, mesmo tendo sido enjeitado pela Mãe biológica, com certeza, tem uma Mãe de amor puro...mas o fato é: todos nós temos Mãe.
A maternidade é algo simples e complexo ao mesmo tempo. Quando engravidei a primeira vez, aos 19 anos, não dormia direito, tinha medo de “machucar” meu nemem.  Então, fui à consulta com enormes olheiras e meu médico, maravilhoso, me disse: Valéria, já viu pé de galinha matar pinto? Bem, fiz uma barriga gigante e continuei a não dormir direito...a segunda, foi maior ainda e lógico, continuei a não dormir direito...sempre fui uma mãe exagerada em cuidados, como a maioria o é.
Ainda hoje, mulheres feitas, somos amigas. E quando me é permitido, dormimos de conchinha... e mesmo distante, ainda perco meu sono e viro uma fera para defende-las, quando sou solicitada.
Se fossemos reunir aqui as histórias das Mães que conhecemos, decerto, daria um enorme e delicioso livro. Ser Mãe é isso...é escrever no livro da história da Vida de cada um, que através de nós, transpõe o portal da Vida.
Ainda tenho a minha, linda, ativa...que mesmo de longe, se faz sempre perto...hoje temos uma linda relação de respeito e cumplicidade, de mulheres adultas e maduras...
Assim, sigo aprendendo a ser Mãe!
Saudades eternas da minha vovó...
Não importa qual seja o motivo, seja ele qual for, nos suscita refletir a nossa existencia e a importancia de quem nos permitiu estar aqui.
Parabéns pelo nosso dia!

6.5.11

...Grafando Basmala...


Desliza sobre o papel
O bico da pena perdida da asa de algum querubim
Vejo que voa
Sinto que escorre
Mas é apenas pena, tinta e papel
E tudo vai se transformando em formas disformes
Que informam
Tudo que me vai
Tudo que me vem
E tudo transborda sincronicamente
O que é pena
O que há em mim

* Basmala de Diogo Martins Gomes

5.5.11

...Uivos...


No manto estendido na boca da noite
Mimada menina nova
Sua alvura repousa
Encantadora Jaci
O céu da minha boca
Rende homenagens a ti


4.5.11

...Matreira...Mente...(Parte Final)

Com o sorriso ainda meio amarelo, ele continua a olha-la, agora com os braços pendentes ao lado do corpo, o momento exigia concentração, o que lhe dirá?
Ela continua no seu caminhar, quase flutuando na sua direção. Sentindo a eletricidade do momento, até o barulho do vento roçando seu corpo molhado, conseguia escutar. Mais de perto, a noite enluarada permite perceber um leve traço de sorriso na sua face, agora, consegue entender Michelangelo.
Pelos Deuses, ela era uma obra de arte!
Nada calmo, continua estático na sua contemplação, como um totem, grudado na areia fria da praia. Um silencio monástico invade seus ouvidos e nesse momento se ve solto no ar pulando de um abismo. Indubitavelmente, fora transpassado por aquela figura etérea, num vácuo que o desequilibra jogando-o no chão. Olha para trás, sente como se ela continuasse seu caminho, mas, não a ve mais...como se nunca tivesse existido.
Ainda incrédulo, olha ao redor, tudo continua o mesmo, o mar embalando suas ondas e a lua a lambe-lo como uma gata manhosa, a brisa tocando sua sinfonia inacabada em consonância com o coqueiral e ele, enfim, desfalece.
As histórias sempre mudam o rumo quando nos permitimos a olhar por outros ângulos, seguir outros caminhos...Agradeço a D. Zildinha e Selma pelo final, tramado e desenhado pelas duas.

Quem curte surealismo? Não pode perder!

...Arrastando Correntes...



Pois é...
É...
Sem responsabilidades...
Sem imposições...
Sem garantias...
O que fascinou foi o cheiro da efemeridade...
O que mantém é a sensação de plenitude...
O que afasta é o desejo de eternidade...

2.5.11

...Meu Reino...


Alguns dias você pode acordar se perguntando: quem sou Eu?

É neste momento que precisa olhar para trás, pois, essa resposta está não aqui, mas em algum lugar do passado, onde você se permitiu “repartir-se”. Nessa construção, certamente, tantas outras partes suas se perderam e outras foram criadas, até que chegasse até aqui.

E você escuta o clique da fechadura se abrindo e o ruído do passado arranhando a borda e te mostrando os sulcos que ele produziu, modelando seu presente.

Meu “presente” do passado são tesouros.  

Jóias que criei com metais nobres forjados pelas minhas mãos.
[Orgulhosa Mama Jordana e seu filhote]

São gemas brutas que lapidei em reluzentes pedras preciosas.
[Tia Larissa e seu dengo]

E hoje posso ricamente me enfeitar e sair a desfilar, tal qual rainha desse reino que criei e defendi, até que ele próprio pudesse conduzir-se com suas próprias mãos.
[Luis, Luisinho, Principe do Reino da Vovó Lela]

"Mamãe Vovó Lela é sua Mamãe?
É sim meu filho, Vovó Lela é minha Mamãe
Por Que?"
[Diálogo de Luis Trindade Foerch  - 4 anos - com sua Mãe em um dia ensolarado na praia do Canto do Sol]

...Caldeirão Fumegando...Vassouras Estacionadas...Perca o Medo e Venha! Eles são do bem!



Bruxos e Magos se reunem em tres dias de conveção. Aberto ao público em Paranapiacaba a partir de sexta-feira 13.04.2011.
Mais detalhes sobre programação consulte: http://luaoriginal.blogspot.com/p/convencao-de-bruxas-e-magos.html
Nos encontramos lá!
Contra a marginalização da Bruxaria e do Paganismo!

...A...Corda...

Os títulos sufocam
As responsabilidades amordaçam

Norrin Road - Corda bamba

Livre para ser ninguém
Alguem que quer estar além


Não contraio dívidas
Não aceito cobranças

O equilíbrio é a dúvida

As verdades voam em saltos mortais
A mentira é avalizada pela certeza

Ser o que se É
Onde e quando quiser

1.5.11

...Matreira...Mente...(Parte II)

(Continuação)
Após o passeio pela praia, retornou ao hotel mais relaxado, tirou o relógio do pulso e o depositou na gaveta, como num ritual sagrado; a partir de agora só se orientaria pelo sol – estava em férias e precisava levar isso a sério. Mais uma vez adormeceu.
Foi despertado com os raios de comandante das suas horas passeando pelo seu corpo, não havia fechado as cortinas. Espreguiçou gostosamente o prazer de poder acordar sem horários nem compromissos. Rolou na cama abraçando o travesseiro e ficou a pensar no quanto nos permitimos ser engolidos pela rotina, pelas tarefas e esquecemos de nós. Fazia as coisas quase que cronometradamente, agora percebia.
Bem, hora de levantar, só percebeu que quase não se alimentara direito desde a chegada, pela reclamação advinda do estomago, estava faminto. Enquanto banhava-se tentou decidir o que faria durante o dia, mas pensando bem, achou melhor deixar ao acaso, afinal não era essa a idéia? Enquanto se enxugava, notou que a barba já estava despontando, decidiu também não barbear-se.
Durante três dias seguiu como folha ao vento. De dia corria na praia, nadava no mar, passeava pela orla, almoçava em diferentes lugares a beira mar. A noite sempre ia em um barzinho diferente, tomava umas cervejas, até ensaiou uma paquera, mas sempre voltava ao hotel sozinho. Nada de baladas mais fortes. Essa “rotina” já estava o entediando e nesta noite, homem ativo, o sono resolveu abandona-lo. O que fazer além de resignar - se? Decidiu dar uma andada, claro, seria na convidativa praia em frente ao hotel. Caminhou pela areia a ermo, sem se dar conta que se afastava das luzes. Os olhos iam se acostumando aos poucos com a pouca claridade e já podia ver melhor a beleza que a lua produzia sobre o mar, que agora em maré vazante, estava calmo e estendido como um lençol na relva. Como isso era bonito e relaxante, não cansava de admirar.
Jogou-se na areia quase deitado, sustentando-se sobre um cotovelo e de repente, o sangue lhe fugiu das veias. Não se dera conta do quanto havia se afastado do hotel, embora soubesse que o lugar não era perigoso, como já havia se informado, mas, tinha certeza que estava vendo um vulto saindo da água em passos lentos abrindo passagem por entre as leves ondas. Paralisado pelo medo de homem da cidade que convive com a insegurança, nem conseguira enxergar direito que da água surgia uma mulher. Só se deu conta quando os reflexos da lua desenharam suas curvas. Enfim soltou pelo nariz um suspiro. Se fosse morrer agora em um assalto, seria pelas mãos de uma mulher, sorriu.
Ela caminhava como se viesse na sua direção, calmamente. Endireitou-se, sem saber se levantava e a abordava, também como ele, ela poderia assustar-se, já voltava a pensar agora. Mas, como ela caminhava na sua direção, e a visão era espetacular, resolveu levantar-se limpando o short com as mãos meio atabalhoado.
Agora que já estava bem próxima, podia vê-la melhor, ainda desconsertado, ensaiou um sorriso, quiça de boas vindas.

...Demiurgo...




Rocei sobre a trama
A fotografia da tua caligrafia
Ordinários traços de liberdade

Tenho apenas uma pena
Tingi de vermelho
O papel em branco que me ofereceu


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...Sobre Imagens...

Informo que algumas imagens utilizadas aqui, não são da minha autoria, tendo sido em sua maioria, provenientes do google imagens. Ficando assim, à disposição dos seus respectivos autores, solicitarem a retirada a qualquer momento.

Fiéis escudeiros! Fàilte!