26.11.11

[Reflexo]

Ah essas mulheres que habitam em mim...
Tantos reversos e versos...
Tantas páginas alinhavadas numa tessitura de bordados inacabados...
Escoando em gotejamento intermitente de mares...
Delineadas por marés que cavam em arrebentações as enseadas indolentes do existir...
Cruzam tantas portas escancaradas que batem forte na fúria da ventania...
São tantos sóis que se põem sem vontade de renascer...
Escondem-se sob o manto da noite aguardando as fases da lua...
Fadigadas adormecem sem fechar os olhos...
E acordadas passeiam no universo onírico vertido pelo tempo...
Ah essa mulheres indolentes que tumultuam as vagas da minha existencia...
Habitam inexplicavelmente essa única que veem:

O contorno de um simples reflexo...

17.11.11

[Fênix]

Há uma centelha de poesia que acende cada naco de pele...
Me consome até as cinzas...
E entre soluços adormeço...
Amanheço amarrotada...
Meio viva...
Meio vazia...
Meio perdida...
Ah essa vida que insiste em me acordar com lambidas do alto dos seios túrgidos até entre as pernas...
E me deixa meio atordoada...
Meio preenchida...
Meio úmida...
Desnuda o meu íntimo o que de tão sufocante me reveste...
Dias costurados e bordados de uma realidade...
Meio turva...
Meio triste...
Meio improvável...
São esses mesmos trapos que ao fim do dia incendeio para me aquecer...

15.11.11

[Pseudônimo]


Queria nesse momento ter o domínio sobre mim...
Esgueirar-me por... entre...
O que está e o que foge de mim...
Queria os dias de sol por entre os dedos...
O escoar das cachoeiras...
A alvura da lua...
O vento num frasco de murano...
As dores num sanduíche de queijo quente...
E poder não sentir esse sabor amargo quando mordo a vida real...
Não queria ter esse pseudonimo:
Saudade...

12.11.11

[Inclassificável...Indefinível]



Amar-te-ia até os confins da sede e da fome d’esse amor inclassificável que me consome os dias em noites estreladas...
Amei-te no brilho das fases da lua que no firmamento...ainda derrama em charcos o meu desejo...
Amo-te no vagar das horas que se chocam como cometas...estilhaçando  porções que de mim desconheço...
Indefinível é a dúvida e o vazio que ventam no íntimo recolhimento...
Fremito a alma por ter sido a sua pele...minhas vestes...
Exposta tristeza em carne viva...da nua ausencia...
Sangra...

10.11.11

[Tardio Outono]


Sinto a vida que pulsa nas minhas veias...
Enveredando pelas alamedas vazias de folhas secas jogadas ao chão...
Ele passou e ficou...
Fixou morada...
Montou seu cavalete com tintas pasteis...
Traços borrados sou eu...
Essa estrada vazia ladeada de árvores vivas que farfalham o meu nome...
São esses sussurros cadenciados que me conduzem...
Me fazem elevar os olhos para o além de um horizonte que me chama...
E Eu...
Como ressequida folha solta ao vento...
Queimo sob o sol desse tardio outono...

[Trago]

Ah...navego nos ecos dos gritos no meu silencio...
Velas recolhidas...a deriva de mim...
Não tenho norte e espero que a sorte me seja o sol a estrela que me guie...
Marés...calmas ou revoltas...que me levem e tragam...
Pois voce...eu já traguei e não consigo soltar...

7.11.11

[Poderia dizer]

Por tantas vezes tentei falar...
Escrever, desenhar, dizer...
Hoje reconheço a inutilidade das palavras...
Na pele tatuada...
Mensagem que não sei ler...
Um enigma de sensações que convidam e repelem...
Serão meros apontamentos ou confissões?
Serão desenhos em fresco nanquim ou hachuras escavadas pelo tempo?
Desafios talvez...
A mim e a voce...

[Navegante]

Esgarçada noite sem lua afoga-me em versos soltos na garganta
São eles que me tiram o fôlego
São meus únicos e úmidos respiros finais
Já não sei se amanheço
Essa alvorada espraiada de lágrimas quentes
Marés que de ti me levam e me trazem
Nesse barquinho de papel que soçobra nas vagas das minhas lembranças

4.11.11

[Pecado]


Ilustração de Willian BlakeO círculo da luxúria - Espíritos de Paolo e Francesca
in Inferno (V), Divina Comédia de Dante Alighieri


Ah esse vício que me consome
Me ferve em caldeirões particulares
Os poros
Entrelaçados nessa urdidura tramada de pele
Que queima
Ardente desejo que pulsa
A falta do calor do teu vulcão em erupção
Lampejos da nossa paixão
Que derrama em lavas quentes
E sangra agora
Nos ressequidos vales insólitos
Fendas abertas pela lamina da tua ausencia

2.11.11

[Crisálida]


Ah o vento que me embala...
Cancioneiro de todas as minhas crisálidas...
Fiz do meu casulo o ninho que embrulho num aconchego o meu amado amor...
Me enrosco ainda viva...
Para em silencio morrer e renascer de amor...

[Ausencia]

Transborda em soluços a mente sufocada pela tua ausencia...
Atada em laços de uma solidão aveludada
que enfeita o nó da garganta...
Amputo meus sentimentos esvaziando a alma...
Os olhos sangram de saudade...
E cada gota que se esvai é uma parte de mim que se consome de ti...
Oferto ressequida flor...
Desidratada e espremida por entre as brochuras das minhas poesias...

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