14.7.22

Sobre tudo, tanto e nada!

 


Essa orquestra de silêncios flameja o peito em solfejos. Olhos baços clamam tão alto!

Queria que tivesse sido um fio do seu pensamento, nem que fosse um vazio transmutado, quase uma reverência...quase uma falta...quase um nada...

Ali, tal qual tempos atrás, num envoltório de plumas esvoaçando sem direção, a alma ausente

Desperta tão amarrotada!


3.11.21

*ESTÉTICA*

Imagem retirada da internet

 

Consciente da falta de vocação para ser estática,

surfo

nesse teto de imagens

refletidas em nuvens...

 

Meu mundo chia

grudado no chiclete do solado,

enquanto transeuntes armados

 com telas em punho

deveriam me soar

... ameaça!

9.6.18

RESQUÍCIOS


Hoje acordei estranha. Nos pés aquelas pegadas que me levam no íntimo da saudade, digital que ninguém jamais lerá. A alvorada me alcança com teu cheiro impregnando tudo. Em transe, quase consigo ler aquele livro que não escrevemos juntos e desperto sentindo na pele a recordação do desejo reprimido, aquela ultima atitude desesperada de fazer-nos crer que seriamos eternos. Lá foram o vento segue seu curso assoviando como um canto de pássaro preso na garganta, ou seria seu pensamento vindo visitar o meu? Nunca mais senti a escrita...na penumbra ainda avisto uma escolta de fumaça, resquício do cigarro baforado...aquele que também, nunca mais fumei...

24.4.18

POESIA SEM LEI


...esse ato contínuo. Esse sol inteiro tremulando partes que borbulham na minha memória. Poderia expor os fatos e as fotografias que amarelam sem o teu olhar. Poderia ressuscitar meu peito, registro da tua imagem liberta do passado ou futuro para juntos recitarmos essa poesia sem lei que se apodera dia a dia da sua ausência!

6.7.17

CORTEJO



Um dia encerrei a paisagem
Cicatriz inflamada no horizonte
Trans...passado por trás dos meus olhos
teus olhos
Sulcos vermelhos
Esbanjamento de salitre  
olhos do meu [a]mar
Com o peito estufado de ar morno
O coração inóspito 
coleciona...dor de náufragos



Em algum lugar do passado 
um texto ensopado ficou 
preso no fundo da gaveta. 
Haviam sim, 
pássaros no varal 
junto com escolhas penduradas...
Não sei se secaram ou voaram...

16.1.17

Suor, Sal e Sol

Teu olhar em mim
um céu de imensidão
orquestra tuas mãos na pele
execução desde o bocejo
 até o despertar
explosão atômica
céu que me despe
 tateando revelações explicitas
escritas um no outro
mergulho em vagas de prosa
correntezas e ondinas
um desejo intenso
encorpado
genuíno
escoo versos úmidos
para arrebentar na praia
nosso [a]mar em

suor, sal e sol...

9.1.17

Sobre as ondas, andei...

...mergulhei
tantas coisas haviam
entre nós
o mar
para nós
as ondas
na cor dos teus olhos
todo meu oceano sem fim
foi lá
que te encontrei também foi lá
que me perdi
sem chances
de [nos] encontrar...


tão fácil é perder

difícil é encontrar
encontrar
alguém como você!

11.12.16

ENCANTAMENTO

Cortinas esvoaçantes
ensopadas 
de um desejo
áspero
encorpado
ruminado 
Um calor baforado
roçando 
entre as pernas
sufocado 
entre soluços
jorrando sem cessar
como lágrimas
sobre a pele

28.11.16

RETRATO

Olhos vidrados
um dentro do outro
sabor de bocas estalando a sede
corpos escoando a fome pelas digitais
narinas abertas farejando cio
Entre as tuas mãos
meu mundo chove torrencialmente

E lá fora todos os sons fazem sentido

20.11.16

GOLPE DE VISTA




O dia vai sendo embalado pelo horizonte, são tantas recordações que se perderam neste vão... Meu sorriso morno em lufadas de vento me acalma, permito que apenas esta música chore nossa ausência. Disfarço pouco e me entregando às emoções, todos os gestos contém meu infinito a[]mar. Concebo tua face com o olhar, ajoelhada em transe soletrando seu nome, como se tudo fosse um golpe de vista...e você ainda gostasse de mergulhar...

em mim...

26.10.16

Àquela que lhes pariu

Não tenho pele de carneiro e nem sou presa fácil,
Não pretendo ser a loba que quer te devorar.
O corpo é meu,
O sexo é meu,
As vontades e a liberdade
são minhas,
o respeito
é seu!
Não me deseje
nem me olhe como um objeto...
Como a que te pariu
sou
simplesmente mais uma Mulher!

18.2.16

ZODIACAL



Os ventos que embalam espumas espraiadas, serenas e misteriosas. O mesmo que nos enlaça, afaga meus cabelos, beija esta curiosidade que nunca cessa e que me impulsiona cada vez mais na sua direção. Revolve as areias do tempo, conchas e segredos guardados no fundo do nosso paraíso, no fundo do nosso [a]mar. Quantos céus serão necessários para que nossos infernos sejam apagados desse mapa rabiscado, aqui, entre nós? Quantas luas se deitarão sobre  nós, almas que habitam corpos celestes, nostalgia zodiacal da nossa existência, etérea una e indivisível.

O encantamento é grande e a espera, será finda? 
Não importa, continuo mergulhada nas bordas dos teus olhos, meu amor...

4.2.16

DIAGONAL

Nada diferenciado além do movimento presente. Havia céu na janela, deslumbramento no teto e as paredes seguiam sorrindo e chorando, projetando sentimentos suados em baixo dos lençóis. Incertezas bailando entre sombras, mordiscando o sono pela madrugada musicada em única nota.  Era como se a sanidade estivesse em férias prolongadas e eu fosse uma sátira do dia evadindo na noite. A única graça esvaía da ponta do cigarro, uma rebuscada fumaça complementando o cenário.

Já não havia passado, de verdade nunca passou, nunca dormiu, nem nunca acordou...

17.11.15

ESTRANGEIRA

Sinais, traços, os poros estão recolhendo-se. Refazendo o caminho na superfície da pele. Entre os olhos fechados, ainda, esgueira-se a alma Quixoteana. Essa expressão habitual de vida, essa ternura que me veste de bravura todos os dias. Não posso me queixar, cíclicos sempre são todos os movimentos, não importa a direção que eu tome, tudo que o fui e que permanece, levam-me às curvas. O tempo aprofunda-se, o meu olhar, o meu sentir sempre serão estrangeiros fora de mim. Retomo a estrada que me devolve, o que era distante é possível ler com a ponta dos dedos. É muito tarde para os temores, é cedo demais para recolher-me em dúvidas. Esse é o tempo, o tempo que surpreender-me e regozijo. Não penso se foi de propósito, mas tudo está exatamente em consonância com um antigo planejamento: entardecer na maresia.

24.10.15

...mente que...MENTE...

Mãos estendias vazias...
...as digitais se perderam...
Olhos serrados...
...imagens borradas...
Ouvidos ensurdecidos...
...os ecos foram raptados...
Lábios ressequidos...
...o sabor tornou-se fel...
...e com tentáculos invisíveis...o vazio...domina um corpo inerte...
Resta-me a mente...
...que me MENTE...
...e dos meus ombros faz saltar asas que contraditoriamente...
...não sabem voar...
...pés de barro...
...arrastam todo o peso pela imensidão...
...não há rumo...
...apenas prumo!

COMBUSTÃO EXPONTÂNEA

Fazemos de conta que tudo vai bem. Pela garganta todos os dias engolindo a seco a distância, frio e amargo cardápio, criado especialmente para nos alimentar e nos proteger de nós mesmos.

Quem dirá do amor que fomos e que ainda permanece? Nunca seremos nós, decerto, evadidos em planetas protegidos em anéis. Guardamos na garganta o ultimo choro, um [a]mar que quiçá, um dia sirva para apagar [apenas e unicamente] minha vida que segue em combustão espontânea.

3.8.15

VISÃO

Transformo

mudo de lugar
mudo a pele e
o estado de espírito
ganho novas emoções
mergulho em outros sentimentos
Giro, giro
até tudo encarnar
embora pareça estar no mesmo lugar
mais uma vez
em equilíbrio no abismo...

31.7.15

Se, [Talvez]

Se –
Sem fôlego, um corpo faminto submergindo de principiantes ambições, opacas como se fossem veteranas, anulando toda a ingenuidade dos sentidos.
Serve-“Se” à mesa posta com iguarias de papel, sublinhando trejeitos serpentinos de imaginação, brinde aos olhos de fogo que tudo consome ou refuta com fastio.
Enquanto os pés afundam lentamente procurando o fim, asas que construí com papel de seda em meu ser, se abrem na chuva.  
Meus olhos agora me avistam longe como se a soberana que há em mim,
Talvez –
[esteja inatingível]

VCruz 09.03.2014

Talvez



Traços de um lépido amador, despretensiosas pegadas que talvez, nem deixem marcadas pelos caminhos. Um dia talvez esses versos sejam letra morta, esparramados pelo chão como folhas de um outono adormecido - ou apenas mais uma porta. Quem sabe se de saída ou de entrada, daquela cabana abandonada na beira da estrada. Lugar sem endereço, estalagem de moradores retirantes, quem sabe o primeiro passo na estrada. O marco de um início ao retorno. Planos bem traçados abraçados no cruzamento da esperança, ou aquilo que não vale nada ser lembrado.
Um vislumbre de volta de quem nunca foi. Registros de um Lápis sem ponta, faz de conta que somos heróis, que somos bedéis, berberes de um deserto de inspiração e então, talvez esses versos sejam esquecidos, ou nunca saiam de moda.
Tremula entre os dedos a incerteza, o medo a insegurança, alimentos de uma coragem cega e voraz. Mó de um moinho de vento, talvez sejam como a roda, que ninguém sabe quem inventou. Talvez seja apenas uma teoria “quixoteana”.
Talvez sejam como eu sou.
Caminhando pra onde eu não sei se vou.



Gosto de alguns autores do Luso, claro, que sem desmerecer ninguem, muitas vezes me falta tempo  para ler a todos e com mais frequencia. 
Bem, recebi uma mensagem do Poeta Toth, que tentou postar um comentário no texto PRESENTE e não conseguiu; e um poema, que tomei a liberdade de diluí-lo em um texto [Nosso].
Toth, agradeço-lhe imenso as palavras de incentivo e o "presente", que deitarei a seguir para o deleite de todos.
(Abraços)
Lápis sem ponta


"Um dia talvez esses versos sejam letra morta
Ou apenas mais uma porta
Quem sabe se de saída ou de entrada
Quem sabe o primeiro passo na estrada
Ou aquilo que não vale nada
Lápis sem ponta, faz de conta
Talvez esses versos sejam esquecidos
Ou nunca saiam de moda
Talvez sejam como a roda
Que ninguém sabe quem inventou
Talvez sejam como eu sou
Caminhando pra onde eu não sei se vou"
Toth

Conheçam um pouco mais o autor:



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Fiéis escudeiros! Fàilte!