28.2.14

GÊNESE


Prostro-me diante do calor que expande por dentro, cavalgando um corcel despido de temor, labaredas que por onde passam me derretem. Quase líquida, escoo aqui e ali pelas bordas sem fronteiras e endureço na falta do fôlego.
Não espero a calma, não há pausa para os olhos dormentes que não descansam nem quando se fecham. Turbilhão de imagens que vão sendo erigidas e consumidas – autofagia de idéias que alimentam o próximo passo – cansaço e euforia em madrugadas que sangram a cidade pelo centro. Meu centro, meu olho de furacão luxuriante, prazeroso, meu derradeiro suspiro antes do amanhecer.
Dependência, voracidade, ausência, decisões imprecisas guiadas pela irreverência dão formas que sugerem a falta de habilidade. Derretem, desmontam, em algum momento meus dedos se encontram e como numa metamorfose espontânea dá-se a criação.
Poderiam ser até confortavelmente materno se eu pudesse ser a oferta.

Seria a minha vã esperança de algum dia poder valer todo esse fogo que carrego?
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Fiéis escudeiros! Fàilte!