Amarrotadas,
São as cartas
em branco que arrasto com os dentes para fora das entranhas.
Dolorosas,
São as
fatias desse coração noturno que se arrebenta por dentro por não saber morrer.
Impiedosas,
São as
farpas e vincos das lembranças que embaciam meus olhos por ser tudo e não ter
nada.
Imprecisas,
São as poesias
de um amor engarrafado envelhecendo no fundo da prateleira sem nunca ter tido a
chance de ir ao mar.
As paredes
do meu quarto estão se fechando ao serem decoradas com solenes rabisco de
insônia, meus pensamentos voam como aviõezinhos de papel em direção ao nascer
do sol.
Acendo o último
cigarro com a chama dos olhos e deixo que a fumaça me leve para onde quiser.
Ai de mim
que ainda fico me procurando em lugares onde não quero me encontrar...
E o
fogo...ah!
O fogo que
consuma todo o resto...
