6.1.14

...Pétala...Pétala...

Penso em novamente contar o tempo e sempre me perco distraída nas recordações. Qual a referencia que devo tomar como início, em que momento eu segui; quando foi que o tempo me deixou no vácuo desse vento, esse assovio que me convida a fechar os olhos, assim, desprovida de sustos por saber o que vou ver.
Tropeço nas conchas espalhadas pelo caminho, recordações que envolvem lágrimas e as guarda em si, sob uma casca rija e feia, desilusões acobertadas à boca miúda, é certo que desembocarão no mar. Quem precisa delas, senão eu para medir o tamanho de uma vida.
Deixo-me levar pelo caminho e mais uma vez me embrenho entre os arbustos obtusos e retorcidos que só guardam poeira e melancolia. Balançam escondendo as marcas que fiz pensando em um dia retornar. Mas também não preciso delas. Trago na carne a divisa das ruínas da imponência, posso ouvir as pedras sendo empilhadas umas sobre as outras, o burburinho dos passos sobre os tapetes, o cheiro da cera, carpideiras fiéis chorando nos candelabros. Aqui também muitos sorrisos caiaram essas paredes, a felicidade um dia abanou as cortinas das janelas e o sol parecia ter encontrado o seu canto. 
Mas nada disso mais importa. Os jacarés do fosso, todos, se foram. A ponte ruiu e as correntes enferrujaram. Nada aqui é mais novo que aquela orquídea que sobrevive floreando todo ano sem que ninguém interfira.
Mais uma vez entendo que é inútil tentar contar, contabilizar. Entrelaço os dedos ao destino que me sorri. 
Falso ou não é o que me resta, enquanto a orquídea florescer...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

...Sobre Imagens...

Informo que algumas imagens utilizadas aqui, não são da minha autoria, tendo sido em sua maioria, provenientes do google imagens. Ficando assim, à disposição dos seus respectivos autores, solicitarem a retirada a qualquer momento.

Fiéis escudeiros! Fàilte!